terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Minha prece, minha pressa

Que meus amores não tenham medo!
Que meus sonhos não hesitem!
Que meu grito não morra na garganta!
Amém.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Eterno Desencanto

Fonte da imagem: Getty Images
Chegava bêbado em casa, se é que o pequeno quarto podia ser chamado de casa, abriu com dificuldade aquela porta, por causa não só do trinco que sempre emperrava, mas também por causa da embriaguez que estava se tornando rotina. Não que fosse infeliz, pois ele não era. Apenas crescia um desejo de mandar o mundo se fuder, ele e suas convenções hipócritas. E como simplesmente ferrar com todo o mundo era difícil, ele se fudia sozinho, para não se fuder na mão de nenhum otário. Não era preciso ajuda para isso, ele se fudia solitariamente com extrema maestria.
Apoiando-se nas paredes, caminhou até o banheiro, ainda escorado na porta do banheiro acendeu a lâmpada, permaneceu alguns instantes observando a luz, sustentado pelo batente da porta, com a boca entreaberta e o olhar vago. Embora os instantes que ficou ali tenham sido muito breves, pareceram para a sua mente entorpecida pelo álcool, muito tempo. Acordou de seus delírios, deixou a garrafa de vodka vazia sobre a pia. Abriu o zíper, começou a esvaziar sua bexiga e seu coração na privada, quando deu por si, a tampa ainda estava abaixada. Xingou. Não sabia se por errar a mira da urina, ou por outros erros cometidos.
Ao terminar fechou o zíper lentamente, sem abotoar o botão superior da calça, foi até a pia pegou a garrafa vazia de vodka, encheu-a com água da torneira. A boca estava seca, tomou um grande e doloroso gole d’água, virando com brutalidade a garrafa ao ângulo de 180º, fazendo que escorresse água pela boca, molhando seu pescoço, sua camiseta surrada, seu peito vazio. Tornou a encher a garrafa, o barulho da torneira aberta o acalmava, fechou os olhos e procurou concentrar-se naquele som, como se fosse música. Fechou a torneira, pensou em levantar os olhos para ver sua imagem no espelho do banheiro. Mudou de idéia, estava ferrado e não precisava que o reflexo do espelho confirmasse isso.
Com a garrafa na mão caminhou até sua cama com passos vacilantes, depositou ao lado da cama a garrafa que outrora guardou as chaves de sua prisão, mas agora havia somente água pura límpida como seus pensamentos estavam após ter alcançado seu nirvana alcoólico. Deixou-se cair sobre cama, ignorando os montes de roupas sujas que lhe faziam companhia. Seu quarto rodopiou perante sua vista por alguns minutos. Assim que os móveis, os livros empoeirados, os discos velhos, pararam de rodar varreu tudo que ali havia com seu olhar. Fechou os olhos com calma e com a certeza estava seguro do caos lá fora. Adormeceu.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Eterno desintitulado

Andas na direção contrária
Foges da romaria,
teu sacramento
é o pecado.
Teu riso  é fácil
e dissimulado.
Teu programa de terça
é perigo.
Tu és mais que um,
és uma multidão inteira.
O cigarro você acende
na vela da igreja matriz.
Não tens eira nem beira...
No colchão das putas, se rende
Se delicia!
Nos seios da morena
encontra tua força motriz.
Miúdo é teu samba.
O fundo do copo de cachaça
te tornas redentor.
Arruaceiro!
Da tua vida insana
fez tua graça.
Tu és malandro, meu caro companheiro.


*um dos meus escritos favoritos, porém nunca encontrei um título estou aberta sugestões.

Foto: Espetáculo "Ópera do Malandro" de Chico Buarque

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Anatomia Passional

Era mais uma terça-feira chuvosa, como gostam de ser as terças-feiras. Era início de mês, era preciso pagar água, luz, o gás. Era preciso ir ao banco, sacar o medíocre salário de um mês de trabalho medíocre também.
Sem muito ânimo para desempenhar atividades cotidianas ela encaminhou-se até a agência bancária mais perto. No caminho seus passos seguiam firmes desviando das poças formadas pela chuva, os pensamentos desviavam-se das tristezas que seu sorriso manso costumava esconder. Traçava mentalmente uma lista de tarefas para semana, com toda certeza ela deveria limpar o lixo de sua kit net, por mais que não se importasse com seu pequeno mundo caótico de papéis, e o cheiro de sebo, as xícaras sujas de café em cima de todas superfícies (café era o alimento base de sua dieta). As raras pessoas que apareciam com uma raridade ainda maior para visitá-la importavam-se, portanto a faxina se fazia necessária.
Ah! Como são cinzentas as terças-feiras. Ao entrar no banco dirigiu-se a fila do caixa eletrônico. Puxa que fila! Todos necessitavam desesperadamente de seus trocados sujos, pois, era início de mês, era preciso pagar água, luz, o gás. Distraída na fila ela começou a observar a princípio inocentemente a nuca do rapaz que encontrava-se na sua frente. Rendeu-se, que nuca! A pele bronzeada de sol, no maxilar era possível discernir o início de uma barba. Homens barbados sempre à atraiam, seu pai possuía barba, somente com essa informação e Freud já teria traçado todo o perfil de suas relações amorosas. Ela não se importava! Continuou a observar a nuca que encontrava-se a sua frente, seus pensamentos ficavam cada vez mais libidinosos diante daquela nuca. A senhora que estava atrás dela na fila olhou em volta e comentou displicentemente: “Que tempo louco!” sem muito interesse de prosseguir a conversa com a desconhecida, ela desinteressadamente respondeu com um “Pois é...”.
Virou-se novamente para frente para continuar a cravar os olhos na nuca que lhe despertara tamanho interesse. Fantasiou, sem dúvida esse era um de seus passa-tempos prediletos, necessitava de suas doses diárias de fantasia, bem como um moribundo ansiava por suas doses diárias de morfina. A fantasia era sua morfina. Deixava a dolorosa tarefa de viver ao menos suportável.
A fila andou chegou até chegar a vez do rapaz portador da nuca voluptuosa. Ele iria se virar, ela iria ver sua fronte. Estremeceu. Mas ao mirar os olhos, a face séria, decepcionou-se. Não sabia ao certo o que esperava, mas esperava algo diferente. Queria apenas a nuca, extirpar aquela parte do restante corpo. Queria com uma dócil violência aquela nuca, aquele início de barba, apenas, sem mais. Era sua vez, sacou seus trocados sujos, pois era início de mês, era preciso pagar água, luz, o gás.


Fonte da imagem: Flickr CubaGallery
 

domingo, 31 de outubro de 2010

Mar de sargaços



Uma flor furta cor
nasceu no meu jardim,
um verme rasteja entre as pedras
cheirando à jasmin.
Sob o guarda-sol
um senhora honrada 
serve coquitéis molotov.
Crianças amputadas
remexem o meu lixo
Uma abelha faz um zumbido
nos meus ouvidos.
O sol abrasante deixa 
tudo vago e difuso.
Roubo teus pecados
e não consigo teu perdão.
Um trato mal oficializado.
Um caminho mal trilhado.
O cigarro já apagado,
o copo vázio.
A cama vázia.
O café frio ainda te espera.
O dia quente entra pela janela,
a vida que segue mole e sonsa.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Luxúria!


Teu nome é Aventura,
que percorro
com minha língua.
Amar sem amargura.
Desamarra minhas fitas,
tira o meu vestido de chita.
Amor sem pudor.
Sacaneia os meus medos,
destrona o meu desejo.
Ai de mim que cedo...
Me possui, me toma,
me tornas tua rainha
de um dia.
Amor é liberdade!
Soneto louco,
versado sem propósito.
Comtemplado por um suspiro rouco.
Amor é igualdade.
Não condena meus pecados
recem confessados.
Me ame sem regras.
Livres!
Amar sem vaidade.
Te sinto na pele,
à flor-da-pele.
Quente no meu sangue.
Meu verso tem cheiro de sexo!
Amor, insano amar...
Deixamos o moralista perplexo.
Te quero nesse instante.
Urgente!
Mas não te quero sempre.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Correspondências

A intimidade que escrever cartas para alguém querido, exerce sobre meu ato de escrever uma ação libertadora de amarras. Me liberta. Escrevo apenas o que sinto sem a preocupação excessiva com a forma que as palavras tomam. Segue abaixo alguns trechos de correspondências minhas à amigos, amantes, errantes.

 "Bem, eu te falei que passei uma noite de insônia, e nesta noite meu travesseiro me aconselhou como o velho amigo que é. Meus pensamentos iam e vinham, passavam por amigos com os quais eu dei mancada, por amigos que deram mancadas comigo, por romances fadados ao fracasso, por romances possíveis e é claro o que eu faria se ganhasse na mega-sena. O e-mail que lhe escrevo é apenas um dos e-mails que resultou a minha noite em claro, alguns já enviei, outros não sei se consiguirei. Bem porque escrever por e-mail se falo com vc sempre, não sei, acho que talvez um monólogo seja mais fácil, que venha a avalanche de perguntas depois."

"Mas tudo isso são conjunções de possiblidades, um jogo de "se": "se fosse...", "se existisse", "se você", "se eu", "se outro". Pois nem toda a racionalidade de uma virginiana com ascendente em virgem é capaz de juntar os fatos presentes para construir um futuro impalpável, quando se trata de futuro e sentimentos, somos todos equilibristas com guarda-chuva cor-de-rosa, dançando em cima de uma corda dourada suspensa no ar, que não consegue esconde o abismo caótico que se encontra abaixo de nossos pés."

"As palavras que aqui tens, esvairam-se como pústula que necessita ser grangrenada. As palavras percorriam minha mente e explodiam em meus dedos, queriam ganhar o mundo, virar tinta, queriam sair do plano das idéias e ser mais mortais, mais reais. Pulsavam. As palavras tem vida própria, extirpável de nossa vontade. Não sei, se algum momento vc desejou essa explicação enfadonha que não no fundo não explica nada. Não sei , se havia a necessidade disto. Não sei de muita coisa. Mas as coisas que sei, sei com a certeza absoluta de que sei."

"Estava conversando ontem com uma amiga que vive em uma fissura ôntica, como diria Caio Fernando de Abreu, e ficamos imaginando como nossos ídolos fariam em tal situação, chegamos a conclusão que Cazuza com certeza faria com uma garrafa de conhaque, fumando vários cigarros, falando verdades obcenas na cara das pessoas, jogaria tudo para o alto e viraria as costas pra não ver nada cair. No semblante dele estariam estampados os olhos marejados de lágrimas, como os olhos de Capitu, mas nos lábios carregariam um sorriso cínico feito criança que fez travessura. Pois bem, que assim seja!"

E claro confidências lisérgicas!
"Se ninguém sabe a receita do chá de belladonna para nos entorpecer no nosso Sitiostock, e acredito que chá de nós moscada eh somente placebo... Vamos tomar chá de fita cassete, se ninguém tiver uma fita cassete, ferventamos as pilhas do controle remoto, se ainda assim não ficarmos loucos, vamos cheirar meia. Se o efeito das meias passar, lambemos sapo. Em últimos caso sempre há o café coado na calcinha para enebriar de paixão.
Tomar suco de comigo-ninguém-pode e concluir que com nós também não podem.
Aflorar nossa surrealidade anacrônica, deixar transparecer a ânsia de não ser. Sagrado invade a nossa realidade profana, imacular os pecadores insanos, que não tem consciência do erro (ou tem), o fazem por simples desejo de escapar de um rolo compressor nefasto e invisivel."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Retalhos

*Texto escrito em 9/10/2009, desculpem-me os raros amigos que já leram minhas palavras néscias. Mas tenho tido dificuldades de escrever novamente. Tem faltado emoções expressíveis.


Talvez a vida seja como uma colcha de retalhos, daquelas que minha vó Maria, (mineira, analfabeta, que tinha vergonha de sorrir e mostrar os dentes)... talvez a vida seja como uma dessas colchas, costuradas com tamanho esmero e cuidado.
Um pequeno quadrado de tafetá rosa do vestido de baile da moça, que naquela noite pôs uma flor no cabelo, um velho colar no pescoço, pequenos brincos de pérolas de plástico, e dançou a noite inteira, como se fosse a ultima, em cada par desejou encontrar um acalanto, um amor suspirado aos cantos. Mas da grande noite, do grande baile, a maior lembrança foram os pés calejados.
Aquele pequeno quadrado de linho de boa qualidade que outrora fora o terno bem costurado do maior galanteador da cidade, quantos abraços femininos não sentiu aquele terno, quantas noites não foi arrancado com violência e paixão, quantas vezes o terno cheirava à cigarros de palha, desses que são enrolados nas coxas das mulatas. Tantas foram as vezes que tamanho desejo arrancou o botão superior, mas quando a vida deixou o corpo, ninguém achou que o terno merecia o caixão.
No pequeno pedaço de chita ficou os sonhos da menina da roça, tímida como bicho arisco, escondia-se de olhares furtivos. Olhava para baixo por medo de olhar nos olhos e quem sabe perder-se naquele oceano azul...
O tecido rendado branco, um dia teve a glória fracassada de pertencer ao vestido da noiva abandonada no altar em manhã de sol no mês de maio. Os sinos badalaram anunciando o casamento, a igreja encheu-se das mais nobres e pérfidas pessoas. Os minutos viraram anos e noivo não chegava. O penteado, a linda tiara, o véu como manto da virgindade, começaram a desmoronar diante do desespero transformado em loucura da moça que a vida desejou entregar a um homem.
O quadradinho de pano azul vivo, as memórias de uma antiga camisa de futebol, que vestia o peito do menino arteiro. A pelada no campinho de várzea, as aventuras montadas sobre a bicicleta, roubar as jabuticabas do velho ranzinza no fim da rua. A criança que deixava as freiras da escola quase loucas de ira e depois ria-se gostoso das travessuras. Fugia, corria com toda a força que os pulmões lhe davam quando via de longe o chinelo e a ameaça da surra punitiva.
O cetim preto vestiu a viúva que de tantas lágrimas derramou em vida durante o enterro estava seca. A mulher perguntava-se porque sentia-se tão aliviada, por fim cessaria as noites sofridas, em que trancava-se no banheiro para fugir da furia ébria do desconhecido com quem dividia o leito por mais de vinte anos. Acabavam-se ali as noites dormidas no tapete de crochê que ficava em frente ao vaso sanitário. Acabava-se ali as desculpas para os olhos cor roxos e inchados. Findava o martírio de uma vida divida à dois.
É somos retalhos de costura bem feita aqui, e meio desalinhados acolá.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sétima Arte

Há dias estou com uma vontade que vai crescendo de mansinho, de assistir novamente Virgens Suicídas (sim, eu gosto de rever várias vezes os filmes, sim eu gosto de reler várias vezes os livros). O filme dirigido por Sofia Coppola, na minha humilde opnião o melhor dela, muito mais profundo que o aclamado "Encontros e Desencontros", e com a mesma perfeição fotográfica de "Maria Antonieta". 
O filme narra a história da famíla Lisbon, a partir da visão de garotos que eram vizinhos das cinco belas Lisbon, uma tradicional família norte-americana, com seus valores excesivamente moralistas, em meados da década de 1970. O ápice do desenrolar da trama se dá a partir das tentativas, até o sucesso do suicídio da filha mais nova dos Lisbon, Cecília que com 13 anos, já sabia o que a vida lhe aguardava. 

Um filme delicado e primoso. Recomendo.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Marasmódico

 Sem muita vontade de sentir, deixo-me ser arrastada. Meu samba anda sem refrão!

Mono
Monotonia
Monocromática
Monogamia

Ausência absoluta de emoções

Acho a tristeza um catalizador criativo, ainda que escrever sobre nuvens  feitas de algodão doce, flores a desabrochar no início da primavera, sobre a beleza etérea de seus olhos amendoados, seja deveras interessante. Nada como vomitar Bukowski em versos sujos e ralos e escrever como o mundo é rídiculo!


Preciso encontrar minha sagacidade

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Colorir



Se sentimentos tivessem cores, o egoísmo seria marron, como são as fezes.
A dor seria escura como noite sem luar.
A felicidade seria dourada, de um dourado tão intenso, que cegaria os olhos desatentos.
Ah! Se os sentimentos tivessem cores, estaria eu munida de pincéis e tintas, mas sentimentos
não tem cores e me resta apenas a velha caneta esferográfica.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Where Did You Sleep Last Night?


O nojo transforma-se em espuma na boca
instinto caça, mata e fere.
Longa a noite percorre, a mente bebe raiva.
Embriaga-se.
Nada foi real a ilusão durou correu
nada mais ficou
A santa expurga a verdade
Açoita-lhe o cícilio
castiga-te
mata-te
Corrompe o delírio, a realidade percorre as veias
gela o sangue viscoso
Tua face queima, tuas mãos frias
teus pés vacilam e não encontram o chão sob eles
Sobre tua cabeça o céu desaba em pó.
Tuas narinas enchem-se
com o odor pútrito do enxofre.
A lâmina não corta teus pulsos.
Te obriga a continuar a farsa.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Teste (texto escrito para o Marcola em dez/2009)

 Esse post é somente um teste, o blog já começa bem, sem ter nem a pretenção de um post inaugural. O texto abaixo escrevi na primeira folha dos "Anais de uma Aventura" (foto), presente que fiz para o meu caro amigo, Marcola.



Presente do Marcola

Um amigo pra sua viagem!
Que você possa preencher as páginas desse caderno com velhas, crianças, doidos lúcidos, aquelas pessoas que deixam uma marca indelével na alma e a certeza de que nunca serão esquecidas. Os sonhos desses seres engolem o espírito errante do aventureiro descompromissado com a verdade, pois, a verdade é inexata, é apenas ilusão do moribundo. As pessoas que vc encontrará no seu caminho, pode ter certeza, vão te mudar. Mude! Permita-se! A estrada é nosso lar. Ao longo da minha curta existência uma das lições mais importantes que aprendi foi: crie laços e não raízes, as pessoas são importantes!
A vida tem personagens esplendidos, desses que nos deixam por anos um mistério saboroso, que não faz sentido revelar, pois a mágica está justamente no segredo. Aproveite as manhãs na feira de rua, as noites de lua, guarde para pessoas especiais. Embriague-se do mundo! Perca-se no mundo!
Transeunte dessa loucura telúrica, vertiginosa, impetuosa que nos arrebata para o carrossel de hipocrisia que nos cerca. É preciso fugir dessa depravação, é preciso perturbar a razão, romper a serenidade das almas, dilacerar simulacros mentais imaculados, inutilizar o status quo.
Atravesse sempre que possível a linha tênue entre a loucura e lucidez, depois me diga como foi.